Tu vê que teus sonhos andam muito estranhos quando o mais recente trata-se de dar um rolê num Voyage verde limão, com o John Updike, que mora no Edifício Martinelli.

No aniversário do Paul Weller quem ganha o presente sou eu
25, Maio, 2009(se eu fosse me chefe e visse esse título horrível, me demitia antes de sequer começar o estágio)
Bueno. Descobri por acaso que o gênio Paul Weller está de aniversário hoje. Meu ídalo. Que pena que só deu pra me jogar no The Jam, Style Council e na carreira solo dele como comemoraçnao só agora no começo da noite. Mas nunca é tarde para tirar o atraso. Foda mesmo foi perder o show, doeu demais. Quando o cara faz o esforço de ver MARCELO CAMELO antes é porque realmente curte o cancioneiro do cidadão.
Enfim. O título (triste) desse post é porque hoje finalmente peguei a Claudinha de volta, depois de quase um mês. Aprendi, com isso, que é sempre caro deixar uma fêmea puta da vida – seja ela humana ou uma motocicleta. Porém, sensacional o estado que ela está. Freio maravilhoso, os engates do câmbio perfeitos, o motor com um barulho mais bonito (e mais alto, moto de verdade faz barulho e fumaça) e a performance melhor. Pena que preciso amaciar o motor agora antes de esticar o cabo, mas não há de ser nada.
Só de ter ela novamente já me alegra absurdamente a vida. Que já estava sensacional. Mas em duas rodas é melhor, muito melhor. Aproveitarei essa semana dedicada ao ócio para andar, simplesmente andar. Como diria um anúncio da Harley-Davidson: “Screw it, let’s ride”.

Ressaca
21, Maio, 2009Acordei. Finalmente. Olho pela janela, não parece dia nem noite. Pode ser tanto o começo da manhã quanto o começo da noite. Caralho, não lembro de absolutamente nada da noite anterior. Mentira, até lembro de uma coisa ou outra. Mas nesse estado que estou é bem difícil o cérebro processar qualquer tipo de informação.
Tento levantar a cabeça. Ainda não dá. Desisto e fico olhando para o teto. Sinto bastante saudade do tempo em que não parecia que tinha uma picareta cravada na minha testa. Bem, não se pode ter tudo. Pego no sono novamente. Acordo, após o que parece ser uma hora e descubro que é dia, não noite.
Consigo levantar a cabeça, o resto do corpo e saio da cama. Considero uma grande conquista pessoal. Procuro uma Neosaldina. Acho. Tomo. Volto e durmo mais um pouco. Acordo. Alguém tira a picareta da minha testa. Uma grande gratidão toma conta de meu corpo.
Tento refazer os passos da noite anterior. Ok, não faço idéia de como cheguei em casa. Olho pela janela, procurando pelo carro. Está muito bem estacionado. Será que alguém me trouxe ou simplesmente eu sou o melhor motorista bêbado da cidade? Bem, não importa. Resolvo voltar mais no tempo. Começo da noite, ainda sóbrio. Entediado em casa, tomo uma dose de uísque e saio atrás de tabaco. Sabia que a nicotina seria uma grande aliada naquela noite. Minha preferência, charutos, eu não posso pagar. Decido por cigarrilhas. Percebo que a caixa está em cima da mesa e ainda há uma sobrevivente. Ótimo.
Lembro de ir ao bar. Um desses lugares pseudo-alternativos, localizado em um bairro industrial e decadente aonde gente endinheirada metida a descolada usa drogas e ouve músicas que ninguém conhece. Havia cerveja a vontade. Na verdade, dizer cerveja é um exagero. Era Antarctica. Mas servia, serviam e eu me servi. Muito. Alguns amigos queridos também se encontravam no recinto. Mas ela também estava lá, linda como sempre. Que merda. De vermelho, ainda mais fatal do que já é.
São as morenas que mexem comigo. Principalmente as altas, magras, interessantes e fatais. De franjinha, botas e minissaia ainda por cima, baita perigo de vida. Pra mim. Obviamente, é assim que ela estava vestida. Parecia sob medida para mim. Mas eu sabia que ela havia feito isso apenas para me provocar. Me torturar. E fazer eu rastejar ao seus pés. Vadia. Para elas sempre é tão fácil.
Ficamos pouco por lá, acredito. Com aquela quantidade disponível de cerveja é difícil ter noção de tempo. Um amigo em comum sugeriu no decorrer da noite uma festa em seu apartamento. Decidi ir. Coisas interessantes sempre ocorriam naquele apartamento. As festas que aconteciam por lá eram conhecidas e também convém notar que conheci ela por lá.
Antes de ir para aquele maldito apartamento, lembro de ter passado em casa para pegar o resto daquele uísque supracitado. Talvez isso explique a amnésia. Com certeza explica a ressaca.
Na festa, ela conversava e ria. Eu bebia. Lapsos em minha memória começam a ocorrer. Retorna à minha mente, distante e sutilmente, uma sensação desagradável, gritos e uma sirene de polícia. É a hora de acender aquela última cigarrilha. Saí em determinado momento para buscar mais bebida. Os gritos eram meus. O carro também. Ainda bem que quem estava sentado no banco do lado esquerdo não era eu. Uma blitz. Como é bom ter alguém sóbrio por perto. Tenho calafrios só de pensar em policiais. Meu passado com eles não é dos melhores. Não convém falar sobre isso.
De volta ao inferno. Ela lá, sorrindo. Me olha. Vou à cozinha, ver ela não é fácil. Um drinque se faz condição mister para minha sobrevivência nesse ambiente tão hostil. Volto para a sala e ela não tira os olhos de mim. Imagino o por quê de tanta crueldade. De me rejeitar como se eu fosse lixo. Nesse momento, eu estava bêbado o suficiente para não ter mais nenhuma dignidade. Se é que algum dia eu tive alguma dignidade.
Tudo que lembro depois desse momento é eu indo na direção dela conversar. Ou delas. No estado que eu estava, tudo que havia em minha frente parecia estar multiplicado por três. Incrível como eu ainda estava de pé. Depois disso, branco total. Provavelmente eu disse algo que hoje será constrangedor para mim. Ou não. Nunca se sabe. Deus protege os bêbados e talvez esse seja o motivo de eu estar vivo até hoje. De ressaca, obviamente.




